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O Que é

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Texto de palestra apresentada a audiências

O tipo de resposta que você vai obter para essa pergunta depende da espécie de humanista a quem você pergunta!

A palavra "humanismo" tem muitos significados e, uma vez que autores e conferencistas geralmente não deixam claro a qual significado se referem, os que tentam explicar o humanismo podem facilmente gerar confusão. Felizmente, cada significado da palavra constitui um diferente tipo de humanismo — os diferentes tipos sendo facilmente separados e definidos através do uso de adjetivos apropriados. Portanto, permitam-me resumir as diferentes variedades de humanismo da seguinte maneira:

Humanismo Literário — é uma devoção pelas humanidades ou cultura literária.

Humanismo da Renascença — é o espírito de aprendizado que se desenvolveu no final das idades médias com o renascimento das letras clássicas e uma renovada confiança na habilidade dos seres humanos para determinar por si mesmos o que é verdadeiro e o que é falso.

Humanismo Cultural — é a tradição racional e empírica que teve origem, em grande parte, nas antigas Grécia e Roma e evoluiu, no decorrer da história européia, para constituir atualmente uma parte fundamental da abordagem ocidental à ciência, à teoria política, à ética e à lei.

Humanismo Filosófico — é uma visão ou um modo de vida centrado na necessidade e no interesse humanos. Subcategorias deste tipo de humanismo inclui o Humanismo Cristão e o Humanismo Moderno.

Humanismo Cristão — é definido em dicionários como sendo "uma filosofia que defende a auto-realização humana dentro da estrutura dos princípios cristãos". Esta fé com maior direcionamento humano é em grande parte produto da Renascença e representa um aspecto daquilo que produziu o humanismo da Renascença.

Humanismo Moderno — também chamado Humanismo Naturalista, Humanismo Científico, Humanismo Ético, e Humanismo Democrático, é definido por um dos seus principais proponentes, Corliss Lamont, como "uma filosofia naturalista que rejeita todo supernaturalismo e repousa basicamente sobre a razão e a ciência, sobre a democracia e a compaixão humana". O Humanismo Moderno tem uma origem dual, tanto secular quanto religiosa, e estas constituem suas subcategorias.

Humanismo Secular — é uma conseqüência do racionalismo do iluminismo do século XVIII e do livre-pensamento do século XIX. Muitos grupos seculares [...] e muitos cientistas e filósofos acadêmicos sem outra filiação defendem esta filosofia.

Humanismo Religioso — emergiu da Cultura Ética, do Unitarianismo e do Universalismo. Hoje em dia, muitas congregações Unitario-Universalistas e todas as sociedades de Cultura Ética descrevem-se como humanistas no sentido moderno.

Os humanistas seculares e os humanistas religiosos compartilham a mesma visão de mundo e os mesmos princípios básicos. Isto fica evidente a partir do fato de que ambos, humanistas seculares e humanistas religiosos, assinaram o Primeiro Manisfesto Humanista, em 1933, e o Segundo Manifesto Humanista, de 1973. Do ponto de vista exclusivamente filosófico, não há diferença entre os dois. É apenas na definição de religião e na prática da filosofia que os humanistas seculares e os humanistas religiosos discordam efetivamente.

O Humanismo Religioso é "fé em ação". Em seu ensaio "The Faith of a Humanist", Kenneth Phife, de congregação Unitario-Universalista, declara:

O Humanismo nos ensina que é imoral esperar que Deus aja por nós. Devemos agir para acabar com as guerras, os crimes e a brutalidade desta e das futuras eras. Temos poderes notáveis. Termos um alto grau de liberdade para escolher o que havemos de fazer.O humanismo nos diz que não importa qual seja a nossa filosofia a respeito do universo, a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos, em última análise, cabe a nós mesmos.

A tradição humanista secular é uma tradição de desconfiança, tradição que remonta à antiga Grécia. Podemos ver, até na mitologia grega, temas humanistas que raramente aparecem, se é que aparecem, em mitologias de outras culturas. E eles certamente não foram repetidos pelas modernas religiões. O melhor exemplo, no caso, é o personagem Prometeus.

Prometeus se sobressai por ter sido idolatrado pelos antigos gregos como aquele que desafiou Zeus. Ele roubou o fogo dos deuses e o trouxe para a terra. Por causa disso, foi punido. E mesmo assim, continuou seu desafio em meio às torturas. Essa é a origem do desafio humanista à autoridade.

Outro aspecto da tradição humanista secular é o ceticismo. O exemplo histórico disso é Sócrates. Por que Sócrates? Porque, depois de todo esse tempo passado, ele ainda é único, entre todos os santos e sábios famosos, desde a Antiguidade até o presente. Toda religião tem seu sábio. O Judaísmo tem Moisés, o Zoroastrismo tem Zaratustra, o Budismo tem Buda, O Cristianismo tem Jesus, O Islamismo tem Maomé, o Mormonismo tem Joseph Smith... Todos afirmaram conhecer a verdade absoluta. Foi Sócrates, e unicamente ele, entre todos os sábios, que afirmou que NADA sabia. Cada um devisou um conjunto de regras ou leis, exceto Sócrates. Em vez disso, Sócrates forneceu-nos um método — um método para questionar as regras de outros, um método de inquirição. [...] Sócrates permanece como um símbolo, tanto do racionalismo grego como da tradição humanista que surgiu a partir daí. E, desde sua morte, nenhum santo ou sábio igualmente considerado juntou-se a ele, nesse aspecto.

O fato de que o Humanismo possa, ao mesmo tempo, ser religioso e secular apresenta, de fato, um parodoxo, mas não é este o único paradoxo. Um outro é que ambos colocam a razão acima da fé, geralmente até o ponto de evitar completamente a fé. A dicotomia entre razão e fé freqüentemente recebe ênfase no Humanismo, com os humanistas tomando lugar ao lado da razão. Por causa disso, o Humanismo Religioso não deveria ser visto como uma fé alternativa, mas sim como um modo alternativo de ser religioso.

Copyright 1989 by Frederick Edwords, Executive, Director American Humanist Association

Extraído do site http://www.geocities.com/Athens/4539/humanismo.htm

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