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O Novo Papel do Estado Frente à Globalização

José Luís Fiori

Resumo

O título acima nos leva a pensar que a globalização poderia ser um conceito consensual que se refere à um processo universal, contínuo, progressivo e homogêneo. A palavra globalização foi transformada em modismo nos anos 90.

A ideologia dominante sobre globalização se baseia em três mitos fundamentais:

1º Mito: "A globalização é uma resultante exclusiva das forças de mercado."

2º Mito: "A globalização é um fenômeno universal, inclusivo e homogeneizador."

3º Mito: "A globalização promove uma redução pacífica e inevitável da soberania dos estados nacionais."

Contra estes três mitos temos:

1º A pressão dos países industrializados pela homogeneização liberal nos países em desenvolvimento. Com o fim da guerra fria as decisões ficam mais centradas nos E.U.A. As taxas de câmbio, juros e as bolsas de valores ao redor do mundo apenas fortalecem ainda mais o dólar.

2º A economia mundial cresceu muito menos nos anos da globalização (73-90) do que nos 20 anos anteriores. 2/3 do comércio internacional está relacionado à empresas dos países mais ricos. Apesar destas empresas possuírem filiais em todo o globo ¾ de seu valor agregado está em seus países de origem. 2/3 deles estão nos E.U.A., Inglaterra, França, Alemanha e Japão. De 180 países, 100 deles recebem apenas 1% de investimento estrangeiro direto. Em países continentais há uma fragmentação econômica territorial.

3º Muitos estados vivem crises terminais enquanto alguns poucos se fortalecem em sua soberania. Diferentemente dos países latino-americanos o Japão, os trigres asiáticos e a própria China "souberam reafirmar a prioridade do interesse racional".

A globalização não está isenta de contradições. "Segue sendo uma tarefa, intransferível de cada Estado, manter os laços materiais e éticos entre classes e regiões cada vez mais desiguais entre si.

O que se prevê hoje é um longo período de medíocre crescimento.