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Filósofos Modernos

Arnauld
Augusto Comte
Barão de Holbach
Baruch Spinoza
Bergson
Berkeley
Boussuet
Charles Darwin
Condillac
D’Alembert
David Hume
Diderot
Emílio Durkhein
Fénelon
Fouvier
Friedrich Nietsche
Friedrich Willelm Shelling
Hartman
Hegel
Immanuel Kant
Jean-Jacques Rousseau
Johan Gottlieb Fichte
John Locke
John Stuart Mill
Lamarck
Leibniz
Malebranche
Montesquieu
Pascal
René Descartes
Ribot
Saint Simon
Spencer
Thomas Hobbes
Vitor Cousin
Voltaire
Bergson e o Intuicionismo
Deísmo
Enciclopedistas
Escola Escocesa
Eudemonismo
Gassendismo
Hedonismo
Idealismo
Materialismo
Monismo
Pragmatismo
Sensualismo
Shopenhauer e o Pessismismo
Utilitarismo


Conclusão

 

INTRODUÇÃO

Dentro da educação brasileira, tão amplamente discutida e revista em nossos tempos, podemos encontrar uma vasta carteira bibliográfica de utilização indiscriminada e totalmente livre de pré-conceitos por partes dos responsáveis pela seleção do material didático nas escolas, tanto públicas quanto particulares. Muito material de excelente qualidade, assim como muitos outros de qualidade duvidosa, está disponível. O livro "O Mundo de Sofia" de Jostein Gaardner, é um destes livros que prendem seu leitor desde o primeiro momento, e é apontado por muitos como uma das mais importantes obras bibliográficas em filosofia de nossa época. Sua leitura é fácil, e o fato de tratar de um romance ajuda a prender a atenção do leitor para o verdadeiro objetivo do livro, que é passar uma visão geral da filosofia através dos tempos.

Neste trabalho buscamos, a partir de uma lista pré-estabelecida de filósofos e correntes filosóficas, estabelecer um paralelo entre esta obra de Gaardner com o livro "As Escolas Filosóficas Através dos Tempos" de Henrique Perdigão, obra esta datada de 1942.

As diferenças encontradas, tanto em forma quanto em conteúdo, não são nenhuma surpresa posto a diferença cronológica dos lançamentos. No desenvolvimento deste trabalho estaremos relacionando os pontos principais dos referidos temas de ambos os livros.

 

René Descartes

Gaardner: Ainda jovem, ele manifestou o desejo de conhecer a natureza do homem e do universo. Depois de estudar filosofia, conscientizou-se sobretudo de sua própria ignorância. Para ele, a razão era o único meio de se chegar a um conhecimento seguro. Não devemos confiar no que lemos em livros antigos e não podemos confiar sequer no que os nossos sentidos nos dizem. Descartes, depois de muitos estudos, chegou a conclusão de que não podia confiar muito no conhecimento herdado da Idade Média e decidiu percorrer toda a Europa, fundando a filosofia dos novos tempos. Passou a vida conversando com as pessoas em Atenas. Descartes conta que seu objetivo passou a ser a procura por um conhecimento que ele podia encontrar dentro de si mesmo ou "no grande livro do mundo". Por isso, entrou para o exército, podendo prestar seus serviços em diferentes pontos da Europa Central. Queria provar as verdades filosóficas, mais ou menos como se prova um princípio da matemática, empregando para tanto a mesma ferramenta que usamos no trabalhos com os números: a razão. Chegou a conclusão de que a única coisa sobre a qual podia ter certeza era a de que duvidava de tudo. Se ele duvidava, isto significava que ele era um ser pensante. Ou como ele dizia: "cogito, ergo sum" – "Penso, logo existo".

Perdigão: Fundador da filosofia moderna. Não foi experimentador. Era aos fenômenos mais simples e comuns que aplicava sua atenção: o movimento dos corpos que caem, o de uma bola que se choca com outra, o da ascensão do vapor, etc. A essência do seu sistema é a crença em Deus e na sua bondade. Mas para chegar a essa crença criou duas ciências: a da extensão e a do pensamento.

O pensamento é contudo, distinto da extensão; são irredutíveis um com o outro.

A extensão vê-se claramente que é móvel: "Dai-me extensão e movimento, diz, e construir-vos-ei um mundo". Fora o pensamento, nada escapa ao mecanismo e esse mecanismo é sempre o mesmo.

A moral de Descartes toca o estoicismo, mas separa-se dele, e excede-o infinitamente, pela idéia cristã e francesa.

 

Baruch Spinoza

Gaardner: Discípulo de Descartes, Spinoza era um crítico da religião oficial. Foi o primeiro a aplicar uma interpretação "histórico-crítica" da Bíblia. Panteísta, via Deus em tudo o que existe e vice-versa. Monista, atribuia tudo o que existe na natureza a uma mesma substância. Deus não é um manipulador de fantoches, e sim participa da causa internamente fazendo parte de tudo o que existe.

Perdigão: Cartesiano imoderado, sua filosofia era a de Descartes, seu mestre. Pensa novamente os problemas que este propôs e deles tira um sistema metafísico ao qual deu forma rigorosamente geométrica.

O princípio da sua moral está no amor de Deus, que é uma substância única constituída por atributos infinitos, dos quais conhecemos dois: o pensamento e o espaço ou extensão. Para Spnisa, como para Descartes, a essência da alma, o fundo da existência espiritual, é o pensamento.

Para Spinosa não há milagres; a sucessão dos acontecimentos opera-se em virtude de leis que Deus não altera. Em 1670 publicou o seu Tratado Teológico-Político, no qual desenvolvia o seus racionalismo religioso e seu liberalismo político.

 

John Locke

Gaardner: Empírico. Escreveu "Um Ensaio sobre o Entendimento Humano", onde tenta explicar de onde vêm todos nossos pensamentos e todas nossas noções e se podemos ou não confiar no que nossos sentidos nos dizem. Estabeleceu a diferença entre qualidades sensoriais primárias e secundárias, conhecimento intuitivo e demonstrativo. Concordando com Descartes, diz que a realidade possui certas características que o homem pode captar de acordo com sua razão.

Achava que para assegurar um Estado de direito os representantes do povo tinham de promulgar leis que seriam depois executadas pelo rei e pelo governo.

Perdigão: O mais empírico de todos os filósofos. Sofreu influência de Descartes, mas a sua filosofia marca o começo de uma reação contra o racionalismo cartesiano. Segundo Locke, a nossa inteligência, na origem é vazia de qualquer idéia, é "uma tábua rasa" onde só a experiência vai escrever as impressões dos sentidos. E destes é que depende tudo. Quanto a Deus, está certo da sua existência, porque os sentidos, a inteligência, a razão e a reflexão nos provam que o ser não pode sair do nada, e que, se de alguma coisa existe é devida a uma existência anterior; que Deus é eterno, todo-poderoso.

Era partidário da moral do interesse.

Afirmou a existência de direitos próprios aos indivíduos e anteriores a existência da sociedade. Sustentou que o poder soberano lhe vem da nação e que o Estado tem o dever de respeitar todas crenças. O seus Ensaio sobre o entendimento humano passa por verdadeiro tratado de ideologia, sendo Locke considerado, entre os modernos, como pai do sensualismo.

 

Malebranche

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Cartesiano muito livre, fazia incluir na teoria de Descartes algumas idéias de Platão e Santo Agostinho e muitas especulações pessoais, esforçando-se por conciliar essa doutrina com o dogma e sustentando que a razão humana e a palavra divina são uma e a mesma coisa.

Pela doutrina do "Visão em Deus" explica o conhecimento e pelas "causas ocasionais", as ações que praticam no universo. No problema da união da alma com o corpo, chega a conclusão que eles não influem um sobre o outro. Deus é que é o verdadeiro agente. Malebranche afirma que os nossos pensamentos e as nossa ações são ações de Deus. Desenvolveu o cartesianismo no sentido mais contrário a Spinosa.

 

Leibniz

Gaardner: Racionalista e individualista. Disse que a grande diferença entre matéria e espírito é que a matéria pode ser subdividida em unidades cada vez menores, ao passo que a alma não pode ser cortada.

Perdigão: Supôs a "harmonia pré-estabelecida" que com a "monadologia", formaram partes importantes da sua doutrina.

Sustenta que a força do corpo consiste, não na extensão mas na força. "O que não age não existe". Toda força tem dois poderes inerentes: o de agir e o de pensar. No alto há uma força suprema "Deus", que vai descendo até as forças baixas e obscuras que tem um mínimo de poder e pensamento.

O homem age e pensa graças a razão que o distingue do resto da criação. Todas as forças agem de maneira espontânea, mas existe entre todas uma ordem, conveniência, a qual todos convergem para o mesmo destino. Para ele não existe milagre, mas há uma harmonia entre corpo e alma.

Para ele "tudo está pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis, todavia o mal existe".

Perfeito só Deus.

 

Pascal

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Sofreu influência da filosofia de Descartes.

 

Boussuet

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Sofreu influência da filosofia de Descartes.

 

Fénelon

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: O mundo é absolutamente bom, existem formas numerosas do mal. Todavia a parte do bem é superior a do mal.

 

Arnauld

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Sofreu influência da filosofia de Descartes.

 

Thomas Hobbes

Gaardner: Dizia que todos os fenômenos, o que inclui homens e animais, se compunham exclusivamente de partículas materiais. Até mesmo a consciência humana, ou a alma humana teria sua origem no movimento de minúsculas partículas cerebrais.

Perdigão: Retomou e desenvolveu a teoria utilitária. A felicidade, para este, é a maior soma dos prazeres diminuída da maior soma de dores. Materialista em filosofia, egoísta em moral, despótico em política. Professou o nominalismo, mas a sua moral é o utilitarismo. O homem tem direito a tudo que as suas faculdades alcançarem e no estado natural todo o homem é inimigo de outro homem.

 

John Stuart Mill

Gaardner: Foi uma personalidade muito importante para a luta pela igualdade de direitos entre os sexos.

Perdigão: No seu célebre livro: o utilitarismo, transformou, por seu turno, a doutrina desse nome, declarando que certos prazeres tem um valor intrínseco que os põe acima dos outros, tais como os do espírito e os do coração, em comparação com os sentidos. Ao princípio, Stuart ajunta outro: o do interesse geral da felicidade comum da humanidade.

 

Spencer

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Completou depois o utilitarismo pelo evolucionismo. Ligou todos os fenômenos mentais à vida. Foi quem tentou, por uma síntese audaciosa fundada na ciência positiva. A sua moral social e a sua política foram, por outro lado, considerados como favoráveis à anarquia, devido as causa das tendências individualistas muito acentuadas que levaram Spencer a desejar o enfraquecimento progressivo do Estado.

 

Immanuel Kant

Gaardner: Queria salvar o fundamento da fé cristã. Achava que racionalistas, empíricos e Hume tinham seus erros e seus acertos em suas opiniões. Acreditava que tanto os sentidos quanto a razão tinham sua importância na compreensão do mundo. Chamava o tempo e o espaço de "formas de sensibilidade", pertencentes a condição humana. Afirmou que não era apenas a consciência que se adaptava as coisas, mas que também as coisas se adaptavam a nossa consciência, e que o homem jamais poderia ter certeza sobre a realidade das coisas como as percebe, pois percebemos como as coisas são para nós mas não como as coisas são em si. Formulou uma lei moral onde cada homem sabe o que é certo e o que é errado de acordo com sua razão prática.

Perdigão: Combate o ceticismo de Hume, estabelecendo a legitimidade da ciência humana, que não deixa, quase toda, de ser fenomenal. o que se compõe de matéria e forma tem para Kant, a denominação de "aparência".

O entendimento é a faculdade de julgar, de ligar entre si, segundo certas leis "a priori", as intuições fornecidas pela sensibilidade. Sustenta na sua dialética transcendental, que é impossível aplicar os princípios do entendimento puro ao mundo dos "nómenos" pois que eles só valem pelos fenômenos. Kant afasta-se do espiritualismo dogmático, negando as categorias e aos princípios todo o valor fora da experiência, todo o alcance ou categoria demonstrativa, relativamente aos objetos clássicos da especulação filosófica: Deus, a alma, a liberdade, a imortalidade, a origem do mundo e o infinito.

 

Voltaire

Gaardner: Viveu em pleno iluminismo. Acreditava na revolta contra as autoridades e que sua tarefa era criar um alicerce para a moral, a ética e a religião, uma religião natural. Otimismo cultural, era uma das palavras de ordem, assim como "de volta a natureza" de Rousseau.

Perdigão: Estuda o passado, apropria-se dos sentimentos, censura a sociedade, mas acomoda-se com ela; a sua arma é a exaltação do sentimento, o entusiasmo da verdade e da justiça.

 

Condillac

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Representou sob a forma reflexiva e psicológica, com seu caráter próprio, o sensualismo subjetivo, na história da filosofia moderna. Autor do célebre tratado da escola sensualista. O sensualismo de Condillac admitia, como o empirismo de Locke, que a origem das idéias é a sensação e a reflexão; mais tarde porém, Condillac modificou essa teoria, admitindo apenas como única fonte de conhecimento a sensação que, transformando-se, tudo explica.

A doutrina de Condillac foi a base metafísica da enciclopédia.

 

Montesquieu

Gaardner: Estabeleceu a tripartição dos poderes em Legislativo, ou o Parlamento, o Judiciário, ou o Tribunal, e o Executivo, ou o próprio governo.

Perdigão: Colaborou na enciclopédia.

 

Jean-Jacques Rousseau

Gaardner: Iluminista. Alertou para a importância dos sentimentos. Seu lema era a expressão "De volta à natureza".

Dizia que somente quando a razão e o conhecimento se tivessem difundido entre todos é que a humanidade faria grandes progressos.

Perdigão: Preocupa-se com o futuro, ama a humanidade em teoria; odeia porém os homens na prática. Combater o materialismo e o ateísmo dos racionalistas, era contra os filósofos da época, a crença num Deus pessoal, na alma espiritual e imortal, numa imutável lei moral. A sua religião é uma espécie de cristianismo evangélico do dogma.

 

Utilitarismo

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: É uma doutrina moral que coloca no interesse particular, ou geral, a regra de nossas ações.

 

Hedonismo

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: Doutrina que considerava o prazer como o fim da vida.

 

Eudemonismo

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: É fundado sobre a idéia da felicidade concebida como supremo bem.

 

Deísmo

Gaardner: Concepção de pensar segundo a qual Deus criou o mundo em tempo há muito passados, mas nunca se revelou a ele desde então. Deus é visto como um ser superior, que só se revela ao homem através da natureza e de suas leis, mas nunca através de uma forma "sobrenatural".

Perdigão: Considerando apenas a etimologia do vocábulo, o deísmo é a crença em Deus, isto é: o contrário do ateísmo. O nome Deísmo, desconhecido na antigüidade e mesmo na Idade Média, foi tomado desde o princípio numa acepção puramente teológica.

 

Gassendismo

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: Doutrina filosófica do francês Gassendi, desenvolvida num sensualismo que é o ponto de partida do empirismo moderno. Na lógica, atribuiu aos sentidos a origem das idéias, do mesmo modo que insinuou que toda a força vem da matéria. A filosofia de Gassendi é, afinal, uma espécie de ecletismo conciliador, onde o espiritualismo e o sensualismo estão justa-postos.

 

Ribot

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Criador da psicologia experimental e o fundador da "Revue Philosophique", que durante 40 anos vulgarizou em obras tidas todas em muito apreço estudos psicológicos importantes, tentou, na Psicologia inglesa contemporânea reabilitar o empirismo inglês, estudando mais tarde na Psicologia alemã contemporânea, com igual simpatia, o movimento psicológico dessa nação.

 

David Hume

Gaardner: Sua filosofia é considerada a mais importante das empíricas. Viveu em pleno iluminismo. Sua obra mais importante foi "Tratado sobre a Natureza Humana". Queria retornar a forma original pela qual o homem experimentava o mundo. Dizia que a qualquer livro místico sobre algo não experimentado era fantasmagoria e deveria ser atirado ao fogo. Para Hume todo o material que usamos para compor imagens oníricas chegou um dia à nossa consciência por meio de impressões simples. Considerava a vida humana como uma sucessão de fatos desconexos.

Perdigão: Criou a filosofia fenomenista, que reduzia tudo a simples fenômenos subjetivos. Tenta reduzir os princípios racionais, que julgamos inatos, a ligações de idéias que o hábito e a repetição tornam cada vez mais fortes e algumas das quais adquirem assim uma aparente necessidade. Tal é , por exemplo, o princípio de causalidade. Fazemos dele uma lei de coisas quando apenas exprime uma expectativa entre nós, uma necessidade toda objetiva desenvolvida pelo hábito.

 

Escola Escocesa

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: Escola criada por um grupo de pensadores escoceses, que se esforçam contra a filosofia de Locke e de Hume, teve por fundador Hutcheson. Não se encontra entre os mestres desta escola um conjunto regular e homogêneo de doutrinas. O principal mérito destes filósofos, foi terem mostrado que há uma ciência do espírito, como há uma ciência do corpo e que os processos que se aplicam ao estudo desta são, até certo ponto, aplicáveis ao estudo daquela.

Outro serviço por eles prestado foi o de fazer ver que todos os problemas filosóficos tem os seus elementos de solução no conhecimento prévio dos fenômenos do espírito humano e nas suas leis.

 

Enciclopedistas

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: Diante dos abusos do regime e do caráter anárquico em que, sob o governo dissoluto de Luiz XV, na França, criou-se o Partido Filosófico. Faltava-lhe um órgão público que agrupasse energias que andavam dispersas. Essa bandeira, esse baluarte de idéias, foi a Enciclopédia.

 

Diderot

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Sua metafísica é uma mistura das teorias da escola de Malebranche, de Leibniz e de Wolf, com as opiniões dos filósofos ingleses contemporâneos. Tinha idéias materialistas. Foi um dos filósofos enciclopedistas.

 

D’Alembert

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Escreveu o notável "Discurso Preliminar" e incubiu-se da parte matemática. Afastou-se das idéias materialistas e da maior parte dos enciclopedistas, afirmando que as propriedades que encontramos na matéria nada tem de comum com as faculdades de querer e de pensar. Foi mais sábio que filósofo e sobretudo um notável geómatra.

 

Sensualismo

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: Sob este nome, costumavam-se designar todos os sistemas que, direta ou indiretamente, fazem derivar as nossas idéias exclusivamente da experiência dos sentidos, reduzindo a inteligência e as nossa faculdades, à sensação.

 

Materialismo

Gaardner: Filosofia daqueles que só acreditam no material.

Perdigão: Doutrina filosófica que, em oposição ao espiritualismo, nega a existência dos espíritos, isto é, de Deus e da alma, só admitindo no universo a matéria.

A matéria era a causa permanente de todas as nossas sensações, conceito dos antigos.

 

Barão de Holbach

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Para ele, o espírito e a matéria, o moral e o físico, são uma e a mesma coisa, o que existe é só matéria e o movimento, que dela é inseparável. Adepto da liberdade plena em todas as coisas, especialmente no que se refere a política e religião.

 

Saint Simon

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Sua doutrina filosófica, chama-se Sansimonismo. Escola político-social. Teve uma influência de fato, sobre Comte de modo superficial. Já depois da morte de Saint Simon os discípulos chegaram ainda a criar um jornal, "O Produtor", no que defendiam teorias do mestre.

 

Fouvier

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: As suas idéias de comunidade moderada o fazem sem dúvida, um precursor do socialismo; mas pela sua teoria das paixões, esforça-se em guardar a liberdade individual. Mostrou, enfim, o poder de associação, isto é, previu um dos pontos caracteísticos do movimento social moderno.

 

Idealismo

Gaardner: Ponto de vista onde alguns filósofos consideram a existência algo de natureza fundamentalmente anímica ou espiritual.

Perdigão: O nome genérico abrange em si uma diviersidade de teorias filsóficas. Os primeiros fazem derivar todos os nossos conhecimentos da sensação; os segundos admitem a participação da razão, anterior ao conhecimento.

Se opusermos idealismo a materialismo, veremos que idealismo sifnifica todo os sistema que admite a existência de um princípio que não seja a matéria; mas é opondo idealismo a realismo que se pode determinar precisamente o sentido usual deste termo, em filosofia.

 

Johan Gottlieb Fichte

Gaardner: Disse que a natureza provinha de uma força imaginativa superior, inconsciente.

Perdigão: Tomando o "eu" como única verdade, pretendeu estabelecer um novo sistema para reduzir à unidade a matéria e a forma, assim como para explicar a relação entre as representações e os objetos.

Daí a sua Doutrina da Ciência onde consciência, objetos, matéria, forma, tudo é produzido por um ato do Eu, recolhido pela reflexão.

 

Friedrich Willelm Shelling

Gaardner: Tentou suprimir a divisão entre espírito e matéria. Dizia que a natureza inteira, tanto a alma humana quanto a realidade física, era expressão de um único Deus ou do espírito do mundo. Via o espírito do mundo na natureza, mas também via este espírito na consciência humana. Neste sentido, tanto a natureza física, quanto a consciência humana, seriam expressão de uma única e mesma coisa. Afirmou expressamente que o mundo "era um Deus".

Perdigão: Quis corrigir o que havia de demasiado radical, na teoria de Fichte, opôs-lhe o seu idealismo subjetivo, que consistia em apresentar o eu como realidade única, como um eu absoluto. Considerou o belo como harmonia do finito com o infinito.

 

Hegel

Gaardner: Quando fala de "espírito do mundo", ou "razão do mundo", ele está se referindo à soma de todas as manifestações humanas. A seu ver, só o homem possui um espírito. Neste sentido, Hegel pode falar também da marcha do espírito do mundo através da história. Ele fala da vida do homem, dos pensamentos do homem e da cultura do homem.

Achava que as bases do conhecimento humano mudavam de geração para geração. Para ele, não existiam "verdades eternas". A história do pensamento humano, ou da razão, contém todos os pensamentos formulados por geração de pessoas antes de você; e todos esses pensamentos determinam a sua maneira de pensar do mesmo modo como também o fazem as condições de vida de seu próprio tempo.

Perdigão: Deu ao idealismo forma mais ousada atribuindo às coisas, como explicação e origem, a idéia pura, a abstração lógica: a verdade precede e gera o ser. É o idealismo absoluto.

 

Berkeley

Gaardner: Acreditava que a filosofia de seu tempo constituía uma ameaça para a visão cristã do mundo. Empírico, dizia que as coisas do mundo são, de fato, exatamente da forma como nós as percebemos, mas que não são "coisas", tudo o que existe é só o que percebemos, mas que aquilo que percebemos não é matéria ou substância. Assim como podemos bater em uma mesa ou sonharmos que estamos batendo em uma mesa, a sensação será a mesma e não saberemos a diferença entre o que é real e o que não é.

Perdigão: Representa o idealismo empírico. Nada há de real, para ele, senão os espíritos finitos e o espírito infinito, Deus; quer dizer: negando a existência do mundo corpóreo, admite a do espiritual, não destruindo a relação dos seres entre si.

 

Shopenhauer e o Pessismismo

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Retomando as doutrinas do budismo, liga-as à moderna filosofia de Kant, partindo desta análise da natureza humana: ser é agir, agir é fazer esforço. A vontade é o princípio, a essência, o fundamento de tudo e o universo um aglomerado de vontades que se agitam; e, como tudo é vontade na natureza, o sofrimento é inerente a ela. Sua moral é fundada sobre a piedade, que precede da consciência da identidade essencial dos seres.

 

Friedrich Nietsche

Gaardner: Viveu de 1844 a 1900. Para ele, o cristianismo e a tradição filosófica tinham se afastado do mundo e se voltado para o "céu" ou para o "mundo das idéias". Esses dois últimos teriam se transformado no "verdadeiro mundo" e, na verdade, não passavam de aparência. "Sede fiéis à Terra", ele dizia, "e não acreditais naqueles que vos falam de esperanças além deste mundo!"

Perdigão: Discípulo de Schopenhauer, foi também notável pessimista. Tentou resolver o seguinte problema: "Quais os meios, admitindo as premissas pessimistas de Shopenhauer, para rejetar-se a sua conclusão, que é a negação do querer viver? A arte foi quem lhe resolveu o problema. Ela lhe justifica o universo, que concebe como um fenômeno estético. Nietzche, não tentou nunca coordenar as suas idéias. A sua obra é uma longa série de aforismos.

 

Hartman

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Combateu tanto o pessimismo absoluto de Schopenhauer, como o otimismo de Leibniz e de Hegel, achando que o pessimismo era um motivo de renúncia ao egoísmo e se opunha à evolução e ao progresso. O progresso produz novas necessidades e torna-os cada vez mais sensíveis a dor. Mas a soma das dores será eternamente maior que a dos prazeres, porque não é um acidente provisório, é a próprio essência do ser e só com ele pode desaparecer.

 

Vitor Cousin

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Editou obras de Descartes que logo foi reimpressa por se haver rapidamente esgotado. Demonstrou na filosofia francesa a Escola Laromguière. Colocava frente a frente os sistemas sensualistas e os idealistas. Sua filosofia recebeu o nome de ecletismo espiritualista. Desenvolveu as idéias de Kant. Pessoalmente, a sua tendência era salientar a metafísica da psicologia e provar Deus pela alma humana e as relações de Deus com o mundo, das relações da alma humana com a matéria.

 

Augusto Comte

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Sua filosofia era cujo método tem por base o não se ocupar senão de fatos e das relações. Fatos são fenômenos que se podem verificar pela experiência; experiência, a única é a dos sentidos. Tal como foi formulado por Comte, o positivismo é, por uma parte, um filosofia das ciências, por outra, uma sociologia que termina numa política e numa religião.

 

Charles Darwin

Gaardner: Naturalista, era um biólogo e pesquisador natural. Colocou em dúvida a visão bíblica sobre o lugar do homem na criação com sua teoria da evolução. Viajou pelo mundo onde, nestas viagens, pode constatar muito de sua teoria. Seu principal livro foi "Sobre a Origem das Espécies". Defendeu de que os animais e as plantas evoluíram de formas mais primitivas através de um processo de "seleção natural".

Perdigão: Seu sistema filosófico era destinado a explicar a formação das espécies pela teorias evolutivas. O transformismo em si, de origem, aliás, muito antiga consiste na aplicação aos seres vivos do princípio da evolução e do qual tanto "darwinismo" como "lamarckismo" são apenas teorias acessórias. As próprias teorias evolucionistas são anteriores a Darwin.

 

Lamarck

Gaardner: Porta-voz da idéia da evolução biológica bastante difundida por volta de 1800. Sua teoria era de que as diferentes espécies de animais tinham desenvolvido exatamente aquilo de que precisavam. Ex. as girafas teriam um pescoço tão comprido porque, ao longo das gerações, tiveram que esticá-lo cada vez mais para apanhar as folhas das árvores. Acreditava também que as características adquiridas pelo indivíduo por meio de seu próprio esforço eram herdadas depois por seus descendentes, mas não havia conseguido provar suas afirmações.

Perdigão: Considerado o verdadeiro fundador do transformismo.

 

Monismo

Gaardner: Atribuição de toda a natureza e todas as relações de vida a uma mesma e única substância. Os estóicos negavam a oposição entre "espírito" e "matéria". Para eles existia apenas uma natureza. Essa concepção era chamada de monismo.

Perdigão: É a identificação dos dois conceitos de matéria e de força que, em oposição com as doutrinas dualistas, se dá o nome de monismo. Concepção dinâmica da unidade de todas as forças físicas, o monismo é, assim, a filosofia da unidade. Os monistas defendem desta forma a sua teoria: na sensação, o que nós sentimos não é a coisa em si, mas a coisa resultante da sua relação com os nossos sentidos; o nosso próprio organismo modificado de tal forma pela impressão recebida.

 

Hartman

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Na sua importante obra "Filosofia do Inconsciente" deixou o melhor de sua fama, foi também monista. O pensamento lógico e a vontade ilógica confundem-se para ele, no inconsciente, isto é, no espírito inconsciente que anima o mundo.

 

Pragmatismo

Gaardner: não trata sobre este assunto.

Perdigão: Sistema de filosofia anti-intelectualista que reduz o conhecimento a uma ação eficaz, medindo a verdade de toda a idéia pela moral que ela contém, ou segundo outra definição: a filosofia dos resultados da experiência e da ação.

 

Bergson

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Considerado um dos precursores do pragmatismo.

 

Emílio Durkhein

Gaardner: não trata sobre este filósofo.

Perdigão: Um dos mais interessantes e originais, pois não só tenta renovar esta ciência particular, como apresenta sobre ela um princípio geral que deve, no seu entender, dominar toda a filosofia. É por meio de tal ciência que ele pretende achar a explicação do conhecimento intelectual, o fundamento da moral e da religião, numa palavra: criar uma filosofia nova a que podemos chamar filosofia sociológica.

O primeiro elemento da nossa vida racional é o conceito, tipo absolutamente fixo e generalizado que "eu não considero, diz como um conceito meu, mas sim como um conceito que todo homem como eu deve ter de um objeto", esse conceito ultrapassando a inteligência individual, não pode derivar dela, mas sim da assimilação de uma inteligência comum coletiva, que torna tal conceito um produto social.

 

Bergson e o Intuicionismo

Gaardner: não trata sobre este filósofo e este assunto.

Perdigão: Introduziu na filosofia o conceito de duração que depois ligou ao de intuição, consagrou-se em especial à resolução de problemas particulares, encarados porém sob um ponto de vista muito pessoal, que atraindo-lhe a atenção do mundo culto lhe trouxe admiradores entusiásticos.

 

Conclusão

Após o término deste trabalho comparativo chegamos a conclusão que, qualquer que seja o professor de filosofia, ou mesmo de outra disciplina, jamais este poderá se prender a uma única referência bibliográfica, nem mesmo deverá desprezar a importância desta ou daquela obra por qualquer motivo que seja. Neste exemplo prático podemos constatar claramente que: a) o livro de Gaarder é muito mais amigável, intuitivo e de mais fácil digestão por parte de estudantes de filosofia e b) o livro de Perdigão possui um material muito mais completo e abrangente sobre os filósofos e as escolas filosóficas através dos tempos.

Assim sendo, não existe, neste caso, livro melhor ou pior para o ensino da filosofia, e sim, uma complementação bibliográfico de uma obra com outra. Sendo as duas perfeitamente indicáveis para o estudo da filosofia.

 

Bibliografia

Gaardner, Jonstein
O Mundo de Sofia: romance da história da filosofia
São Paulo: Cia. Das Letras, 1995.

Perdigão, Henrique
As Escolas Filosóficas Através dos Tempos
Editora Latina, 1942

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