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Responsabilidade e Liberdade na Educação

Introdução

O texto a seguir é uma reflexão sobre a educação em termos de responsabilidade e liberdade. No contexto educacional brasileiro há um impasse inquietante.

De um lado, pais desesperados, incapazes da tarefa educativa, por não compreenderem que a única autoridade consistente é a que brota da força moral, que só pode vir pelo testemunho. Eles não se dão conta da revolução cultural que estamos atravessando, no poder de sedução exercidos pelos meios de comunicação de massa, na revolução social. De outro lado, pseudopedagogos, sem conhecimentos mínimos da antropologia, que julgam poder educar na exclusão de qualquer indicação de limites.

Em face desta situação, é compreensível que pais abdiquem da tarefa educativa e um número crescente de educadores chegue à beira do desespero por não entreverem possibilidades que as circunstâncias parecem excluir de maneira flagrante.

Liberdade: pressuposto de toda educação

Por um lado, ela é a grande aspiração do ser humano, por outro lado ela se revela um peso quase insuportável. Ser livre implica tomar decisões e responder por elas, com o risco permanente de errar. Porém, ela é indispensável para a educação. O processo educativo simplesmente não acontece se as pessoas envolvidas não assumirem com um bem de referência do qual depende a dignidade humana e o sentido mesmo da vida. Somente pessoas livres podem ser educadas. A primeira tarefa, é a de ajudar pessoas que assumam livre e responsavelmente a própria educação. A organização construtiva de sua vida depende da aprendizagem. A meta a ser atingida é a de levar pessoas à autodeterminação como a forma talvez incômoda, de elas exercerem a própria liberdade. Assim, é possível avaliar a qualidade de um processo educativo pela capacidade de tornar as pessoas mais livres e mais responsáveis.

Uma constatação

Em nosso tempo a sensibilidade em relação aos aspectos negativos de todas as formas de sofrimentos, torna-se mais evidente do que em épocas passadas. O ser humano com o passar do tempo utilizou o sofrimento imposto como forma de submeter o próprio semelhante. Antes de conhecer a Pedagogia e a Psicologia a sociedade conhecia somente a forma repressiva pois as pessoas educadas muitas vezes submeteram-se a métodos quase forçados. Muitas vezes ocorria desrespeito e violência com os alunos, na época de hoje quem teria coragem de tal procedimento?

Outra face da realidade

Visualizar o aspecto repulsivo do sofrimento pode até ser cômodo e situarmos numa postura de bom senso. O diálogo torna-se difícil quando as pessoas tem honestidade de alimentar dúvidas quanto as próprias interpretações e estão abertas a outras posturas, até mesmo alternativas.

Sofrimento e humanização

É possível constatar que as grandes lições da vida, geralmente vêm do sofrimento, o êxito com sofreguidão buscado por tantos, tende a criar uma situação ilusória que pode levar à presunção quanto as próprias possibilidades. O fracasso permite dimensionar a vida em sua justa medida.

É possível citar casos de sofredores que despertam para a dignidade e atingem sensibilidade comum em face do sofrimento alheio, justamente a partir do próprio sofrimento. Haverá alguém incapaz de compreender e aceitar os direitos de uns onde começam os direitos dos outros?

Um testemunho

No caso do escritor russo Dostoievski, tendo se envolvido numa conspiração política, é condenado a 4 anos de trabalhos forçados na Sibéria e mais 4 como soldado raso. Seus biógrafos reconhecem que aqueles 4 anos são como um reservatório secreto onde o gênio se alimentará daí para o futuro.

Não se trata de aprovar o sofrimento e menos ainda inflingi-lo a pessoa no processo educativo. Quem quer ver o ser humano vivendo com dignidade deve ajudá-lo a eliminar a dor. Uma verdadeira educação deve ter como meta levar as pessoas a atingir a plenitude da vida.

Educação e sofrimento

Preocupa-se a necessidade de que sejam levantadas as perspectivas mais relevantes por que no processo educativo está em jogo nada menos que o sentido da vida. Educa-se para que as pessoas aprendam a ser fiéis à estrutura mais profunda do ser.

Educação e obediência

A obediência, atualmente, é vítima freqüente de um verdadeiro terrorismo verbal, pois, obediência foi muitas vezes compreendida como submissão.

O tempo e a história

Em razão a esse mal entendido perde-se parte da capacidade de compreender que a obediência é um dos temas mais essenciais da existência humana, pois, o ser humano deve rigorosa obediência ao tempo e a história.

A estrutura do ser

O ser humano deve, principalmente, obediência à estrutura mais profunda do seu ser, é dali, que brotam às determinações éticas que devem pautas à existência humana. Essa é a razão pela qual se revela necessária a associação entre educação e obediência, pois o educando precisa saber que a obediência, entendida no interior dessa perspectiva, é a condição de sua plena realização

Obediência como submissão

Existe uma forma de obediência que vem como submissão. Eis aí o testemunho mais contundente de uma educação que radicalizou e falhou em sua tarefa maior. Um verdadeiro projeto educativo deve pressupor a liberdade e precisa levar ao exercício responsável da liberdade.

Obediência como disponibilidade

Uma outra forma de obediência pode ser chamada de disponibilidade. Caracteriza-se pela capacidade de passar para um 2º plano projetos pessoais em prol de outras pessoas, e ao abrirem mão de seus interesses pessoais não expressam contrariedade e tristeza, mas alegria. Esta forma de obediência, é testemunho eloqüente da qualidade de um processo educativo.

Obediência como transgressão

É uma forma de obediência que contradiz de maneira flagrante o senso comum. Essas pessoas são reconhecidas por uma atitude de profunda liberdade e de renúncia a toda espécie de preconceito, transgredindo as determinações existentes e acelerando o futuro.

Discernimento

A verdadeira educação é a capacitação para a obediência que só pode acontecer em espírito de disponibilidade, e de transgressão. A pessoa bem educada é sempre alguém livremente resonsável.

Educação: Comportamento e Atitudes

Em nível de sociedade, quando o assunto é educação parece haver uma preocupação no sentido de levar as pessoas a se comportarem de uma determinada maneira, de uma forma ou de outra, todos deverão ser enquadrados, pois nenhuma sociedade suporta por muito tempo uma situação de desordem generalizada.

A verdadeira educação, ou civilização, deveria levar a uma relativização progressiva dos mecanismos coercitivos. Na verdade, as chamadas nações civilizadas são justamente onde as leis são aplicadas com rigor.

É terrivelmente precária a situação de uma sociedade que se pauta por níveis razoáveis de funcionalidade que estão expostas ao arbítrio sempre que os mecanismos coercitivos são abolidos ou se perdem. Pode-se acreditar que uma verdadeira educação mede-se por seu reflexo na antropologia, um autêntico processo educativo pode ser reconhecido por sua capacidade de levar as pessoas a uma adesão profunda aos valores que asseguram densidade e consistência à vida.

Em síntese, a educação deveria dar origem a um ser humano novo, capaz de não reproduzir a situação anterior e sempre aberto a criar novas situações de liberdade e dignidade humana. Quanto mais educado o provo, menor será o espaço reservado aos mecanismos coercitivos. Inversamente, quanto maior for a necessidade sentida por tais mecanismos, menor será o nível de educação atingido. As pessoas realmente educadas dispensam toda forma de pressão.

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